top of page

Surpresa: a Zona de Interesse é desinteressante

  • Foto do escritor: Julian de Sousa
    Julian de Sousa
  • 1 de mar.
  • 3 min de leitura
Zona de Interesse (2023) concorreu em cinco categorias do Oscar em 2024, vencendo em Melhor Filme Internacional e Melhor Som.
Zona de Interesse (2023) concorreu em cinco categorias do Oscar em 2024, vencendo em Melhor Filme Internacional e Melhor Som.

Com trinta minutos de filme, eu me fiz a pergunta inevitável: quando é que Zona de Interesse fica interessante? No Google, não apareceu resposta e eu achei a pergunta bem genuína. Até eu lembrar que Zona de Interesse não é um filme hollywoodiano — e fiquei uns minutos pensando sobre isso enquanto o filme seguia rolando.

Acho que a expectativa dissolve muito da magia que um filme pode ter ou não sobre a gente. Li na epígrafe de um livro, uma vez, uma frase marcante: este livro é o que é, o que significa que ele pode não ser o que você espera que ele seja. Eu acho a frase ótima porque ela dissolve expectativas, além de que é adaptável a qualquer produto ou coisa sobre a qual pomos excesso dessa mesma expectativa: esse "produto" é o que é, e pode não ser o que a gente "quer" que ele seja.

Eu esperava que o vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional em 2024 fosse ácido, profundo. Eu queria terminar o filme chorando, profundamente tocado. Eu queria escrever uma resenha que convencesse o mais cético sentimentalista a assistir ao filme para provar algum ponto. Acho que esperei demais ignorando que o filme é o que é, não o que eu quis que ele fosse.

Você que está aí lendo já reparou no quanto a métrica da nossa expectativa — em relação a filmes, neste caso — foi moldada pela forma norte-americana de fazer cinema? Aquele molde criado por nomes como Syd Field e replicado à exaustão por Hollywood inteira, hoje, é o nosso critério máximo para separar cinema bom de cinema meia-boca. Se o filme se parece com um norte-americano na forma, é bom; se não, não e ponto final. É assim que pensamos.

Foi nessa métrica de expectativa que eu ignorei a dinâmica não-americana de fazer cinema. Zona de Interesse, como um exemplar do cinema britânico-polonês, tem ritmo e estrutura diferente do longa metragem industrial norte-americano. E embora reconheça o seu mérito a ponto de me questionar enquanto espectador, a verdade é que, depois de quase uma hora de filme, eu não tinha conseguido sequer me importar com os personagens na tela. Suas histórias não evocaram a minha empatia ou qualquer reação minha. Eu prestava atenção na beleza estilística do filme, na fotografia linda e limpa, na trilha sonora tímida, mas era totalmente indiferente a história que se tentou contar ali.

Com quarenta e tantos minutos, desisti do filme e fui fazer qualquer outra coisa. Mas fiquei pensando nisso: acho que a pachorra do filme é proposital e eu devo ter perdido a intenção por trás dessa escolha. O que sei é que não gostei e nem tentaria assistir de novo.

 

Título original: The zone of interest

Direção: Jonathan Glazer

Elenco: Christian Friedel, Sandra Hüller, Ralph Herforth, Johann Karthaus, Luis Noah Witte, Nele Ahrensmeier.

Gênero: Guerra, Drama

Ano de lançamento: 2023

País: Polônia


Sinopse: 

Durante a Segunda Guerra Mundial, o comandante de Auschwitz, Rudolf Höss, e sua esposa, Hedwig, se esforçam para construir uma vida idílica para sua família em uma casa vizinha ao campo de concentração.



Onde assistir: Amazon Prime Video.


 

Julian de Sousa é acadêmico da 7ª fase de jornalismo na Unemat tangaraense.

Para mais conteúdo jornalístico e literário, assine a newsletter com o seu e-mail acadêmico, ou siga o canal do Fuzuê no WhatsApp.

Comments

Rated 0 out of 5 stars.
No ratings yet

Add a rating
bottom of page